
O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Sete Lagoas e Região (SINTTROSET) confirmou que os funcionários da concessionária Turi irão retomar o movimento grevista nesta terça-feira (9), em Sete Lagoas.
A paralisação terá início às 4h da manhã e ocorrerá de forma parcial. Em cumprimento a uma determinação judicial, 40% da frota ficará parada, enquanto os outros 60% dos ônibus deverão continuar circulando normalmente para atender a população.
A retomada da greve acontece após semanas de tensão entre trabalhadores, empresa e poder público, além do fracasso das tentativas de conciliação conduzidas no Tribunal Regional do Trabalho (TRT).
Na última audiência realizada no TRT, a proposta apresentada pela concessionária foi formalmente rejeitada pelos rodoviários.
A empresa ofereceu reajuste linear de 3,9% — correspondente apenas à reposição do INPC — tanto para os salários quanto para o tíquete-alimentação.
Sob orientação do sindicato, a categoria considerou a proposta insuficiente diante do desgaste enfrentado diariamente pelos trabalhadores e manteve a reivindicação por ganho real nos salários, além do aumento do vale-alimentação para R$ 900.
Mesmo sem acordo definitivo, a Turi permanece obrigada a aplicar imediatamente o reajuste de 3,9%, com efeito retroativo ao mês de janeiro.
A nova paralisação acontece em meio à maior crise recente do transporte coletivo de Sete Lagoas.
No fim do mês passado, o prefeito Douglas Melo decretou uma intervenção administrativa inédita na Turi — medida jamais adotada anteriormente no município.
Com a decisão, a Prefeitura passou a acompanhar diretamente o fluxo de caixa da concessionária e obteve acesso aos dados financeiros do sistema, incluindo os valores arrecadados com as tarifas.
O comitê interventor também assumiu funções de auditoria e monitoramento dos contratos, além da fiscalização dos repasses destinados ao transporte alternativo operado pela cooperativa Cooperselta.
Segundo a administração municipal, a medida buscou proteger os usuários diante das sucessivas paralisações e problemas operacionais registrados no sistema de transporte coletivo.
Apesar da intervenção da Prefeitura e do monitoramento do sistema, a falta de avanço nas negociações salariais levou os rodoviários novamente à paralisação.
O SINTTROSET informou que a categoria seguirá mobilizada e em estado de alerta até que haja uma proposta considerada satisfatória pelos trabalhadores.
De acordo com o sindicato, a manutenção de 60% da frota em circulação busca atender às exigências da Justiça e minimizar os impactos à população que depende diariamente do transporte coletivo.
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