Uma explosão em uma caldeira de água na fábrica da Itambé, no bairro São Geraldo, em Sete Lagoas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, mobilizou o Corpo de Bombeiros na manhã da última quarta-feira (2). O incidente provocou um princípio de incêndio, rapidamente controlado. Ninguém ficou ferido.
O caso reacende o alerta sobre a falta de manutenção e a ausência de profissionais habilitados para operar equipamentos de alto risco, segundo o coordenador da Câmara Especializada de Mecânica e Metalurgia do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG), engenheiro mecânico Diego Fernandes da Cruz.
“Uma caldeira possui diversos dispositivos de segurança responsáveis por manter o equipamento em operação adequada e o ambiente seguro. Como são equipamentos que geram grande risco, o profissional legalmente habilitado é essencial para identificar falhas conforme a NR-13 e demais normas, e adotar as providências necessárias”, afirma Diego Fernandes.
Essenciais em várias indústrias, as caldeiras funcionam como grandes panelas de pressão e acumulam grande quantidade de energia. Para garantir o uso seguro desses equipamentos, o Ministério do Trabalho atua em parceria com o Crea-MG desde 2020.
A auditora fiscal do Ministério do Trabalho Julie Santos alerta para a gravidade do problema.
“É uma situação que exige atenção, pois compromete tanto os trabalhadores quanto a vizinhança. Nos últimos cinco anos, foram lavrados mais de 3.000 autos de infração e realizadas 65 interdições por risco grave e iminente, impedindo o funcionamento até que houvesse intervenção da empresa e de profissional habilitado”, diz Julie.
As irregularidades mais comuns em Minas Gerais envolvem ausência de válvulas de segurança, falta de manômetros, atrasos nas inspeções obrigatórias, ausência de dispositivos de controle de nível da água e operadores sem qualificação técnica.
Julie também destaca o trabalho de conscientização feito pelo Ministério. “Promovemos treinamentos voltados a profissionais habilitados, empresas, fabricantes, reformadores e proprietários de equipamentos regulados pela NR-13, esclarecendo as responsabilidades de cada um”, afirma.
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