Em decorrência dessa investigação, policiais civis do Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP) desencadearam operação, nessa quinta-feira (6/2), resultando na prisão de dois dos indiciados, de 19 e 27 anos. Durante a ação, um homem foi encaminhado para a delegacia, visto que contra ele constava ordem judicial por envolvimento em outro crime.
Dois homens, apontados como mandantes da morte da adolescente, já estavam presos pelo homicídio e outros dois permanecem foragidos. As investigações apontaram ainda o envolvimento de dois adolescentes no caso.
O homicídio da jovem ocorreu no dia 18 de janeiro do ano passado, no Alto das Antenas, Vila Cemig.
Justiça paralela
Conforme apurado pela equipe da 2ª Delegacia Especializada de Homicídios Barreiro, a adolescente teria sido vítima de julgamento pelo “tribunal do crime”, que consiste em uma forma de justiça paralela coordenada por facções criminosas.
O delegado Matheus Marques contou que o homicídio teve como motivação um desentendimento entre a vítima e a organização envolvida com o comércio de entorpecentes e armas de fogo na região da Vila Cemig.
De acordo com Matheus, “a vítima integrava a organização criminosa, contudo, deixou de repassar os valores auferidos ao gerente do grupo criminoso. Ainda, fez uma falsa denúncia de estupro para desviar a atenção sobre o ‘derrame’ de drogas, causando o linchamento e quase morte do suposto agressor”.
Após descobrirem que se tratava de uma falsa denúncia, a cúpula da organização criminosa decidiu torturar, decapitar e enterrar a vítima, missão atribuída e executada por membros do grupo criminoso.
Com apoio do Corpo de Bombeiros Militar, a PCMG localizou o corpo da jovem em uma cova rasa, em local de difícil acesso, cerca de uma semana após o crime. “Ela tinha muitas lesões, de acordo com o laudo de necropsia, nos membros inferiores e superiores, além de uma tentativa de decapitação”, informou Matheus.