O grande índice de acidentes de trabalho em siderúrgicas em Sete Lagoas parece não preocupar os órgãos fiscalizadores do Governo do Estado e também da União.
Nas redes sociais, sete-lagoanos já não se assustam mais com tantas informações de acidentes de trabalho no setor da siderurgia.
Com o aumento significativo do dólar e o ferro gusa sendo comercializado na moeda, o setor de siderurgia atualmente vive em ascensão, sendo assim, aumenta a contratação e também os problemas no tocante a segurança dos trabalhadores.
Segundo informações do Sindicato dos Metalúrgicos de Sete Lagoas, o município tem hoje cerca de 27 fornos em operação. O setor emprega 3900 trabalhadores.
Fornos em operação
Sidermim – 2
Santos Dias – 2
Guerdau – 1
Fergusete – 3
Metalsete – 1
Tecnocider – 1
Sete Gusa antiga MGS – 1
Betser – 1
Bandeirantes – 2
Sete Gusa antiga Itasider – 2
AVG – 2
IFG – 1
Usemar – 1
Usipar – 2
CSS -1
Sidercop -1
Gelf -2
Sama – 1
Multijer - 1
Diante da situação alarmante de acidentes, a reportagem do Site Megacidade conversou com alguns funcionários e aposentados do setor da siderurgia, em busca de relatos sobre a precariedade em que vive o trabalhador em Sete Lagoas.
Com receio de uma possível perseguição, trabalhadores pediram o anonimato durante a entrevista.
Depoimentos de trabalhadores
Em conversa com nossa reportagem, um dos trabalhadores no relatou que já trabalhou em várias empresas e sempre presenciou falta de preocupação por parte das mesmas no tocante a segurança do trabalho.
Segundo ele, em algumas empresas, o técnico de segurança é figura decorativa, deixa de fazer o acompanhamento dos trabalhadores em campo de serviço e exerce outra função no setor administrativo.
Em outro depoimento, um forneiro que trabalha há anos no setor de siderurgia, disse à nossa equipe de reportagem que não existe treinamento para os trabalhadores. “O serviço é complexo, é preciso um treinamento, eles querem somente o lucro, aumentam a pressão dos fornos para melhorar o desempenho da produção sem realizar uma análise da situação de estrutura dos fornos. Trabalhamos em uma verdadeira ‘Bomba Relógio’!, alerta.
Outro trabalhador relata: “Sou forneiro, trabalho na boca do forno sem nenhuma ventilação, em um ambiente que ultrapassa 1000 graus, estamos sendo cozinhados por dentro de tanto calor, sendo que temos medo de denunciar e perder nossa única fonte de renda, mas imploramos por ajuda. É preciso fiscalizar nossas condições de trabalho!”
Acidentes de trabalho
Em 18 meses foram registradas 75 comunicações de acidente de trabalho com 7 óbitos, sendo um ainda em investigação. Isso sem contabilizar os acidentes que acontecem e não é feito o Comunicado de Acidente de Trabalho (CAT).
Fiscalização
O grande número de acidentes de trabalho envolvendo o setor siderúrgico na região parece não preocupar os órgãos competentes no tocante a fiscalização das empresas.
Segundo informações, no período de 18 meses onde foram registrados 75 acidentes com 7 óbitos, a visita dos fiscais do trabalho só realizaram uma visita em todo período.
Dívidas
Mesmo com uma arrecadação em alta, algumas empresas acumulam dívidas milionárias trabalhistas, na Previdência e FGTS.
Algumas descontam o repasse do FGTS nos contracheques dos trabalhadores, mas não realizam o depósito, causando transtornos aos trabalhadores no momento das rescisões de contrato.
Sindicato
A nossa equipe de reportagem também entrevistou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Sete Lagoas, Ernane Geraldo Dias. Na oportunidade ele lamentou os vários acidentes que tem acontecido no setor.
Para Ernane Geraldo é preciso que as empresas invistam em treinamentos para diminuir os acidentes, envolvendo engenharia de segurança do trabalho e técnicos de segurança do trabalho, com treinamento prático no campo de serviço, realizando uma interação direta com o trabalhador.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Sete Lagoas, Ernane Geraldo Dias
“Todos os acidentes graves registrados são comunicados pelo Sindicato no Ministério da Economia, antigo Ministério do Trabalho e também no Ministério Público do Trabalho. O Governo Federal sucateou o Ministério do Trabalho, o que piorou de forma significativa o direito dos trabalhadores e também as fiscalizações de segurança nas empresas. Lamentamos os acidentes! O que queremos é o trabalhador de volta com segurança ao lado de sua família. Nosso jurídico está à disposição dos familiares, caso queiram acionar o seguro que é garantido em alguns casos”, disse Ernane Geraldo.
O presidente do Sindicato afirma ainda, que se o trabalhador perceber que está sendo obrigado a trabalhar colocando sua própria vida em risco por falta de segurança do trabalho, denuncie e seu anonimato será preservado.
Números para denúncia
Sindicato dos Metalúrgicos de Sete Lagoas: (31) 3774-5123 ou (31) 3773 3556;
Ministério do Trabalho Sete Lagoas: (31) 3773-6820 ou (31)3773-1545;
Ministério Público do Trabalho: 0800 702 3838.
Mín. 19° Máx. 26°