Em complicada situação financeira, a Escola de Veterinária da UFMG e a Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão (Fepe) optaram por vender animais para saldar dívidas trabalhistas decorrentes da demissão de funcionários da Fazenda Experimental Professor Hélio Barbosa (FEPHB), que dá suporte ao ensino da graduação e pós-graduação e às atividades de pesquisa e de extensão da universidade.
Contingenciamento de verbas federais para a educação e cortes de valores destinados à instituições de fomento à pesquisa no país e no Estado estão entre as causas de tal situação, de acordo com fontes e áudios de uma reunião a que O TEMPO teve acesso.
Por meio de nota, a diretoria da Escola de Veterinária confirmou a venda de bovinos e suínos, sem detalhar quantos deles foram comercializados. “Em razão da necessidade de adequar atividades à disponibilidade orçamentária, a diretoria tem adotado medidas, entre elas a venda de animais”, informa o documento.
Todavia, ainda de acordo com o comunicado, “não há a supressão de rebanhos”. “A fazenda continua mantendo normalmente práticas e dinâmicas envolvendo a bovinocultura de leite, a avicultura de postura e de corte, a forragicultura (produção de forrageiras), a equinocultura, a cunicultura (criação de coelhos) e a suinocultura”, lê-se no informe.
No início da última semana, uma nota dos alunos do curso de veterinária circulou na universidade. Nela, havia a convocação para uma reunião pública em que providências e informações seriam repassadas à comunidade acadêmica. De acordo com a nota, “alguns setores não rentáveis foram extintos, os animais foram vendidos e o restaurante localizado no centro de treinamento foi desativado”.
Uma fonte ouvida pela reportagem, que participou do encontro, informou que a Fepe teria precisado vender suínos e bovinos – tanto animais de reprodução como os dedicados à produção de leite – para pagar os encargos trabalhistas decorrentes da demissão de funcionários do restaurante que funcionava no local. “As vagas na cantina foram eliminadas para manter o pessoal dos currais”, expôs.
A nota enviada pela diretoria da Escola de Veterinária garante que “as medidas visam assegurar a capacidade operacional da fazenda, dando continuidade às atividades acadêmicas realizadas na unidade”. “A diretoria da Escola tem, ainda, juntamente com a Reitoria da UFMG, buscado alternativas para ampliar o orçamento disponibilizado para a fazenda”, acrescenta.
MEC alega não ter ingerência nos pagamentos
Procurado, o Ministério da Educação (MEC) informou que “após efetuar liberação orçamentária, não possui ingerência sobre os processos de pagamentos que estejam a cargo de suas unidades vinculadas”. O texto acrescenta que “os critérios para liberação das verbas desbloqueadas visam atender aos programas prioritários do atual governo”.
Local de aulas práticas para 25 disciplinas dos cursos de graduação em medicina veterinária e aquacultura, e pós-graduação em ciência animal e em zootecnia, a Fazenda Experimental Professor Hélio Barbosa (FEPHB) é laboratório de aprendizado para cerca de 2.300 alunos por ano.
No final de abril, o MEC bloqueou parte do Orçamento das federais, no valor de R$ 2,3 bilhões, o que gerou uma onda de protestos no país. Em setembro, houve o desbloqueio de R$ 1,156 bilhão para as universidades.
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